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Arthur Protasio

Criado em 16 de Março de 2009

Certa vez definido como "Entusiasta e defensor da liberdade de expressão nos jogos eletrônicos. Narratologista e especialista em ludocultura. O bardo das novas mídias e dos novos tempos.", Arthur é graduando em Direito pela PUC-RJ com Domínio Adicional em Mídias Digitais. Apesar do seu "estigma" jurídico, ele é escritor e "game designer". Acredita no potencial da narrativa e na expressão cultural que jogos representam e manifesta sua arte e opinião em seu blog, o Vagrant Bard.

Você pode seguí-lo no Twitter em www.twitter.com/arthurprotasio

Liberdade "Gaymer”

postado por Arthur Protasio

| 23 de Maio de 2009


O sexo muda a forma de jogar? Polêmico, Arthur Protasio insere o debate!

Os jogos eletrônicos representam uma mídia universal. Há variados gêneros e diferentes histórias, cada um com seu público-alvo em mente. Há jogos infantis, há jogos de estratégia, há jogos curtos para os "casuais", assim como aquelas experiências de 60 horas que visam saciar o usuário sedento por RPG. Embora muitos dos grandes lançamentos comerciais sejam voltados para um público alvo masculino repleto de testosterona, um dos grandes marcos do entretenimento digital foi o icônico Mario. O jogo provou que qualquer pessoa podia controlar o encanador bigodudo, fossem mulheres conservadoras, crianças sem senso crítico, adolescentes rebeldes ou homens rabugentos depois da meia idade.

O homossexualismo, por sua vez, nunca foi novidade na história mundial. Comum e apoiada na Grécia, as relações entre homens eram incentivadas por criarem laços afetivos entre soldados e possuírem um fundamento estratégico. Isso foi, no entanto, há séculos. Hoje em dia o entendimento é outro, especialmente em contato com uma mídia recente como a dos games. Sendo boa parte do público hardcore composta, até então, por homens entre seus 18 e 30 anos,  a maioria dos jogos voltados para o público ocidental - o conceito de masculinidade no oriente é diferente - exibe uma quantidade exagerada de sangue, tiros, explosões, sexo (heterossexual) e protagonistas que exalam segurança através de músculos e linguagem mal educada - Marcus Phoenix que o diga. Com o tempo, no entanto, esse quadro está se alterando. Não só há uma inserção maior de mulheres no meio, sejam como desenvolvedoras ou jogadoras, assim como uma abertura maior para o público não heterossexual. É ao menos o que o conteúdo de alguns jogos indica.

 

Resquícios dessa liberdade sexual estão espalhados pela mecânica de vários jogos. Temple of Elemental Evil, um RPG baseado em Dungeons & Dragons, permitia que um NPC  (Non-Playable Character) masculino se casasse com um personagem do seu grupo, também masculino. The Sims não estabelecia objetivos explícitos - e talvez por isso tenha sido um dos jogos mais bem recebidos da história - de forma que se o jogador tentasse, ele iria descobrir que era possível formar um triângulo, quadrado ou pentágono amoroso entre quem quisesse, fossem pessoas de sexos diferentes ou não. O recente lançamento da Lionhead, Fable 2, permite que você participe de orgias, seja bígamo, hetero,  homo ou bissexual. Bully da Rockstar inclusive premia jogadores com um achievement por beijar garotos. A desenvolvedora Bioware, por sua vez, possivelmente oferece os melhores exemplos com seus jogos guiados por narrativas, como KOTOR (Knights of the Old Republic), Jade Empire e Mass Effect. O primeiro, por exemplo, mostrou que o amor entre Jedis, em especial com Juhani, poderia ultrapassar as barreiras do preconceito. A mitologia chinesa e a ficção científica também apresentaram pontos de contato entre seres (aparentemente) do mesmo sexo.

 

 

Contudo, nem tudo é um mar de rosas. Não importa o quanto pareça que os jogos entendem a definição de liberdade e deixem o jogador optar pelo caminho que quiser, o preconceito permanece fora do mundo virtual.  Polêmicas surgem, seja em função de ações defensivas ou a aplicação de regras que visam o melhor convívio em uma comunidade. Ao passo que existem sites voltados para jogadores homossexuais, como GayGamer.net ou Gaymer.org, há também fóruns que são fechados e contas que são canceladas por possuírem a palavra gay. Tal foi o infortúnio do jogador da rede Xbox Live, Richard Gaywood, que ao registrar seu nome real como sua gamertag teve a mesma cancelada. Outra usuária escolheu escrever em seu perfil da LIVE que era lésbica. O ato resultou não somente em constante chacota por parte da comunidade, mas também na suspensão da própria conta. A própria Bioware passou por problemas quando um de seus administradores afirmou nos seus fóruns que os termos "gay", "lésbica" e "homossexual" não existiam na realidade Star Wars. Eventualmente o tópico foi reaberto e ninguém foi banido nesse caso, mas a atitude da desenvolvedora foi criticada por contradizer a política aberta de seus jogos.

 


Aqui inicio minha opinião. Há um embate que claramente abrange a questão da liberdade na comunidade dos gamers. Por um lado há teorias - da qual eu profundamente discordo - de que todos os jogadores sejam homossexuais e que o "homofobismo" presente na comunidade é apenas uma forma de desviar a atenção. Outros afirmam que há a necessidade de se formar grupos para impedir que o próprio ódio de alguns jogadores heterossexuais se volte contra os outros homossexuais. Discordo também. Não há sentido em querer fragmentar o já pequeno (apesar de crescente) nicho que os jogadores representam no mundo. Os games têm tremenda dificuldade em se apresentar como mídia -  quiçá arte - para aqueles que desconhecem a sua existência. Conseqüentemente, polêmicas como essas apenas geram más impressões perante o público externo. É importante que, assim como os próprios jogos evidenciam, todos tenham a liberdade de fazer suas opções pessoais (sejam elas sexuais ou não). A questão é: até que ponto é necessário mostrar em uma partida de Halo 3 que determinado jogador prefere um determinado sexo? Deve se levar em conta também o jogo em discussão. A maturidade muitas vezes varia com o público e o conteúdo. É provável que discussões relativas à opção sexual sejam mais bem aceitas em um fórum de The Sims que Call of Duty 4. Todos têm direito ao seu espaço, mas nem todos questionam até onde a sua liberdade está interferindo com a de outros. Essas medidas de regulação são razoáveis? A exposição de informação e certos termos é relevante para a experiência jogável? Afinal, o que todos querem é jogar... Certo?

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